05 janeiro, 2010





Quando procuro o que há de fundamental em mim, é o gosto da felicidade que eu encontro.

Albert Camus

. Adorei ler isso .

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Caio F.

. O Homem autentico .

O que vem a ser um "homem autêntico"?
Os autênticos homens antigos não tinham medo
Quando ficavam a sós com as suas opiniões.
Nenhuma grande proeza. Planos, nenhum.
Se falhassem, nenhuma compaixão.
Nenhuma autocongratulação no sucesso.
Escalaram rochedos, sem nunca sofrerem vertigens,
Mergulharam na água, sem nunca ficarem molhados,
Andaram no fogo e não se queimaram.
Assim, toda a sabedoria atingiu o Tao.

Os autênticos homens antigos
Dormiam sem sonhos
Acordavam sem preocupações.
Sua comida era simples.
Respiravam profundo.
Nos homens autênticos a respiração autêntica
Vem dos calcanhares.
Nos outros a respiração vem do esôfago,
Meio-estrangulada. Nas discussões
Arrotam argumentos
Como vómitos.
Onde as fontes da paixão são
Profundas,
As fontes celestes
Ficam logo secas.

Os autênticos homens antigos
Não conheciam o luxo da vida,
Nenhum medo da morte.
Sua entrada era sem contentamento,
Sua saída,
Sem resistência.
Fácil de começar, fácil de terminar.
Não se esqueceram de onde,
nem perguntaram para onde,
Nem foram tristemente à frente
Lutando pela vida afora.

Aceitaram a vida como é, felizes.
Aceitaram a morte como se apresenta,
Despreocupados.
E partira, para lá,
Para lá!

Não desejavam combater o Tao.
Não tentavam, por seus próprios planos,
Ajudar o Tao.
Estes são os que chamamos homens autênticos.
Mentes livres, pensamentos distantes,
Frontes limpas, faces serenas.
Estavam frescas? Frescas apenas como o outono.
Quentes ? Nem mais quentes que a primavera
Tudo isto surgiu deles
Calmamente, como as quatro estações."


- "Via de Chuang Tzu" - Thomas Merton -

. Cada um com seu cada um .





Não tão viciante como a heroína, menos prejudicial do que o álcool, mas, ainda assim, problemático do ponto de vista ambiental, é o outro grande tranquilizante moderno: ir às compras. Muitas pessoas admitem prontamente que as compras não são tanto um meio de obterem os bens de que precisam, mas a sua principal actividade recreativa. Uma grande dose de compras parece ajudar a ultrapassar a depressão. Ir às compras é o substituto moderno das actividades mais tradicionais da caça e da recolecção. O centro comercial substituiu os antigos territórios de caça. Tal como recolher raízes, sementes e bagas num ambiente árido, as compras podem ocupar uma grande parte do dia. Permitem o desenvolvimento de formas especializadas de conhecimentos e competências. (Como se seleccionam os items certos a recolher? Onde e quando se encontram pechinchas genuínas?) Ir às compras pode até passar por uma actividade útil: o seu componente de lazer pode ser disfarçado ou negado de uma forma que não seria possível se se passasse o dia a jogar golfe.

Peter Singer, "Como havemos de viver? – a ética numa época de individualismo", Dinalivro, 2005

.Enquanto a sombra repetir no chão o teu corpo inteiro eis que te encontras vivo e completo.
Gonçalo M. Tavares "A Máquina de Joseph Walser"




. Minha promessa de ano novo .


Para o ano vou deixar-me.

05 julho, 2009


Ando no escuro para tocar onde não devo.
Amor é tocar onde não se deve.
E curar sem entender a doença.

.Fabrício Carpinejar.

Quem gostou da Ideia