28 novembro, 2011



De noite, como
a luz é pouca,
a gente tem impressão
de que o tempo não passa
ou pelo menos não escorre
como escorre de dia










Ferreira Gullar

Nossa trilha sonora




Pessoas são como músicas: Algumas, nós gostamos desde o início, outras gostamos depois de um tempo. São feitas para serem ouvidas e compreendidas. Algumas tocam a nossa vida. Mas tem uma, aquela mais especial, que é a nossa trilha sonora.




Lorena Prazeres

Para vida...


27 novembro, 2011

Apenas um fragmento






"Poucos são hoje os que sabem o que seja um homem. Muitos o sentem e, por senti-lo, morrem mais aliviados [...] Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas agora já não busco mais nas estrelas e livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir pra si mesmos. A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. [...] Mas, cada um deles é um impulso em direção ao ser. Todos temos origens comuns: as mães; todos proviemos do mesmo abismo, mas cada um - resultado de uma tentativa ou de um impulso inicial - tende a seu próprio fim. Assim é que podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se."







(Demiam - Hermann Hesse)
Indicado por Bianca Lima

25 novembro, 2011







— Por que é que você olha tão demoradamente cada pessoa?


Ela corou:

— Não sabia que você estava me observando. 
Não é por nada que olho:
é que eu gosto de ver as pessoas sendo.




Clarice Lispector

Abraço é querer ser um quando se é dois.






Cirandar



São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza.






Ana Jácomo

22 novembro, 2011

Mude

Esse é um texto muito conhecido. Acho que já postei ele por aqui na voz e na "autoria" de outras pessoas. Porém, hoje vou coloca-lo novamente por dois motivos: particularmente, MUDE é uma receita. Sim, uma receita de como ser feliz em sua própria companhia e com seus hábitos necessários. Como fazer diferente aquilo que precisamos fazer todos os dias. E, vou corrigir a autoria que vem se difundindo erradamente na internet. O nome do autor é Edson Marques e a página dele é www.edsonmarques.com.


21 novembro, 2011

Página Final

Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
Atropela minha hora,
Despreza minha agenda.
Corre prepotente
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando,
Das melodias que estão me aguardando,
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
Amanhecer e continuar teimando...



Flora Figueiredo

Compartilhar é o segredo






Escuta: 



Ame muito as pessoas
 As flores 
 Os animais... 
O compartilhar é o único meio 
de não secar as fontes,
De não atrofiar as raízes da alegria,
De estimular à produção de amor... 
De viver... E não apenas existir.







Arnalda Rabelo

19 novembro, 2011

Plenamente encantada

Inspirada por um post da Ana Martins (Blog Pequenas Epifanias), eu fui procurar mais sobre o Manoel de Barros. Quantas coisas saltaram aos meus olhos!!!
Esse documentário foi algo arrebatador, revelador, inspirador. O poeta coloca uma lente de aumento nas coisas pequenas. Com muita destreza nas palavras, e muito bem conduzido pelo entrevistador, descreve com grandeza aquilo que na maioria das vezes não vemos. 
Se tiver um tempo para o ócio não deixe de assistir, valerá cada segundo de atenção.
Essa é apenas a primeira parte, mas o documentário é dividido em 6...
um primor!

17 novembro, 2011

Minha oração






Se um dia deste meu ventre
brotarem árvores-filhos
que sejam fortes como os livros 
a que tanto amo. 

Que eu possa morar 
nas dobras de suas páginas 
e me escrever nas suas margens, 
(como num rio) 
que eu mergulhe em suas sendas minúsculas, 
como nas entranhas das palavras. 

Que meus filhos me amem, 
como meus livros 
e que não fiquem aprisionados 
nas minhas estantes!



de Oração, Lívia Natália

16 novembro, 2011

Definição de filho





"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".





Saramago

Adoro e compartilho

Lindo!

Na falta de palavras....




" Na incompletude das palavras, 
o abraço conclui. 
Sendo tal atitude, 
a palavra que faltava."





Patrícia Costa

15 novembro, 2011

Meu lema

Não pode tocar





Entro num museu, paro em frente a um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar. Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material, nada de deixar minhas digitais impressas, nada de arranhar a tela com minhas unhas mal lixadas, de desgastar as cores com meus dedos imundos. Então a gente respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais.

Assim é também entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos que procuram se proteger: não se pode tocar em determinados assuntos.

Há questões que arriscam ser maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar. Instaura-se sempre um silêncio de museu ao nos aproximarmos de temas perigosos. Tolera-se apenas o som da tevê, de um teclado de computador, de alguém falando ao telefone, ruídos parecidos com silêncio, já que não fazem barulho excessivo, não incomodam o suficiente. Palavras incomodam o suficiente. Vamos falar sobre o que nos aconteceu dez anos atrás. Vamos conversar sobre a morte do seu pai. Vamos tentar entender juntos a razão de você estar bebendo desse jeito. Me diz o que te perturbou na infância. Não, não quero tocar neste assunto.

Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um.

Todas as relações do mundo possuem sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos.


Martha Medeiros

Minhas visões



Trago no olhar visões extraordinárias, 

De coisas que abracei de olhos fechados...








Florbela Espanca

Educar com os olhos

boa pontaria




(...)Boa pontaria faz toda a diferença. Às vezes um alvo está mais perto que outro e isso parece facilitar as coisas, às vezes uma pessoa parece legal mas é camuflagem, às vezes alguém se move em nossa direção e, antes de ouví-lo, o abatemos. Viver é lutar um pouquinho a cada dia pela nossa felicidade. Ninguém sai ileso dessa briga, mas fere-se menos quem tem bom faro, noções de diplomacia e, principalmente, sabedoria para distingüir a hora de atacar e a hora de se defender.



Marta Medeiros

14 novembro, 2011

Vítima do amor


As coisas tão mais lindas



"Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nelas e então eu me vi"









- Nando Reis -

A música predileta de Deus





" Dizem que o riso é a música predileta de Deus...

Intuo que é verdade"




Ana Jácomo

12 novembro, 2011






Palavra,

às vezes até perde a fala diante de sentimento grande. 




Abraço
não.




Ana Jácomo

Mais um belo dia




Se, ao acordar, posso escolher uma roupa, posso escolher também o sentimento que vai vestir meu dia. Se, no percurso, posso errar o caminho posso também escolher a paisagem que vai vestir meus olhos. A mesma articulação que tenho para reclamar, tenho para agradecer. E, se posso me adornar com a alegria, não é a tristeza que eu vou tecer. Que hoje e sempre, seja mais um belo dia!” 



Marla de Queiroz 

O que realmente importa




Vai menina, fecha os olhos. 
Solta os cabelos. 
Joga a vida. 
Como quem não tem o que perder.
Como quem não aposta. 
Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo. 
Molha os pés na poça. 
Mergulha no que te dá vontade. 
Que a vida não espera por você.
Abraça o que te faz sorrir. 
Sonha que é de graça. 
Não espere. 
Promessas,vão e vem. 
Planos, se desfazem. 
Regras, você as dita. 
Palavras, o vento leva. 
Distância, só existe pra quem quer. 
Sonhos, se realizam, ou não.
Os olhos se fecham um dia, pra sempre. 
E o que importa você sabe, menina. 
É o quão isso te faz sorrir. 
E só.




Caio Fernando Abreu

11 novembro, 2011

Deus fala


Se ele fosse uma casa....

....essa casa seria espaçosa, com poucos cômodos, porém. Se ele fosse uma casa, o aroma dessa casa seria de comida feita na hora, num fogão à lenha que tem seu fogo sempre aceso. Se ele fosse uma casa, todo canto dessa casa teria uma cadeira, um balanço, uma cama, uma rede, convidando à preguiça, à languidez e às safadezas de um momento perfeito. Se ele fosse uma casa, essa casa seria sólida, de materiais brutos e nada perecíveis, tudo muito intenso ao toque, ao encostar de pele, de corpo, de alma... Se ele fosse uma casa ela seria o esconderijo acima de qualquer suspeita por sua discrição elegante e misteriosa. Se ele fosse uma casa, essa casa estaria fora de moda, ou acima dela, misturando objetos às lembranças e suspiros saudosos a cada olhar. Se ele fosse uma casa, não haveria um canto sequer mal cuidado, ou esquecido, seria como um pequeno grande mundo zelado por um deus caprichoso e amante do que é bom nessa vida. Se ele fosse uma casa, essa casa seria um pouco como o mar, as férias perfeitas, o sonho bom, o melhor lugar pra ir, pra estar, pra ficar. Se ele fosse essa casa, sem a menor sembra de dúvida, esse seria o lugar onde eu gostaria de morar. Pra sempre.








Desconheço autoria
“E me deu o abraço 

que disparava corações em mim 

como se eu tivesse um em cada nó de veia.”






Tati Bernardi

Para não esquecer


Fico repetindo no escuro palavras como:


 Gentileza, 
Perdão, 
Sabedoria, 
Bondade, 
Paciência.



Caio Fernando de Abreu

Guardar





Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. 
Em cofre não se guarda coisa alguma. 
Em cofre perde-se a coisa à vista. 

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por 
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. 

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por 
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, 
isto é, estar por ela ou ser por ela. 

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro 
Do que um pássaro sem voos. 

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, 
por isso se declara e declama um poema: 
Para guardá-lo: 
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: 
Guarde o que quer que guarda um poema: 
Por isso o lance do poema: 
Por guardar-se o que se quer guardar. 



Antonio Cícero

Com mais leveza



Em algumas fases da jornada, às vezes longas, carregamos um bocado de peso na alma. Nem um pouco raro, às vezes sem sequer notarmos. A gente costuma se acostumar fácil às circunstâncias difíceis que, vez ou outra, podem ser mudadas até sem grandes elaborações e movimentos, sem que se precise contar com sorte, promessas, milagres e cercanias. A gente costuma se adaptar demais ao que faz nossos olhos brilharem menos. A gente costuma camuflar a exaustão. Inventar inúmeras maneiras para revestir o coração com isolamento acústico para evitar ouvi-lo. Fazer de conta que a vida é assim mesmo e pronto. Que somos assim mesmo e ponto. A gente costuma arrastar bolas de ferro e agir como se carregássemos pétalas só pra não precisar fazer contato com as insatisfações e trabalhar para transformá-las. A gente costuma mudar de calçada quando vê certos riscos virem na nossa direção, mesmo que nos encantem. A gente carrega muito peso no peito, tantas vezes, porque resiste à mudança o máximo que consegue. Até o dia em que a alma, com toda razão, cansada de não ser olhada, encontra o seu jeito de ser vista e dizer quem é mesmo que manda.



Eu me flagrei pensando nessas coisas um dia desses. No que esse peso todo, silenciosamente, faz com a alma. No que isso faz com os sonhos mais bonitos e charmosos e arejados da gente. No que isso, capítulo a capítulo, dia após dia, faz com a nossa espontaneidade. No que isso faz, de forma lenta e disfarçada, com o desenhista lindo que nos habita e traça os risos de dentro pra fora. E o entusiasmo. E o encanto. E a grata emoção de estarmos vivos. Eu fiquei pensando no quanto é chato a gente se acostumar tanto. No quanto é chato a gente só se adaptar. No quanto é chato a gente camuflar a própria exaustão, a vida mais ou menos há milênios, que canta pouco, ri pequeno, respira míngua e quase não sai pra passear. Eu fiquei pensando no quanto é chato deixarmos o coração isolado para não lhe dar a chance de nos contar o que imagina pra gente e o que ainda podemos desenhar juntos nesta história. Se a ficha cair. Se rolar afeto. Se houver diálogo.


Mas chega um momento, acredito, em que, lá no fundo, a gente começa a desconfiar de que algo não está bem e que, embora seja mais fácil culpar Deus e o mundo, nominar réus, inventariar frustrações, vai ver que os algozes moram em nós, dividindo espaço com o tal desenhista que, temporariamente, está com a ponta do lápis quebrada. Sem fazer alarde, a gente começa a perceber os tímidos indícios que vêm nos dizer que já não suportamos carregar tanto peso como antes e viver só para aguentar. Queremos mais: queremos o conforto bom da alegria e o entusiasmo capaz de nos fazer levantar da cama de manhã com vontade de ajudar a florescer, mais ou finalmente, o que nos importa.

Devagarinho, a gente começa a sentir que algo precisa ser feito. Embora ainda não faça. Embora ainda insista em fazer ouvidos de mercador para a própria consciência. Embora às vezes ainda estresse toda a musculatura da alma, lesione a vida, enrijeça o riso, embace o brilho dos olhos, envenene os rios por onde corre o amor. Por medo da mudança, quando não dá mais para carregar tanto peso, a gente aprende a empurrá-lo, desaprendendo um pouco mais o prazer. Quase nem consegue respirar de tanto esforço, mas aguenta ou pelo menos faz de conta, algumas vezes até com estranho orgulho. Até que chega a hora em que a resistência é vencida. A gente aceita encarar o casulo. A gente deixa a natureza tecer outra história. A gente quer tecer junto. A gente permite que a borboleta aconteça.

Nascemos também para aprender a amar. Para dançar com a vida com mais leveza. Para, presentes, curar passados e perfumar futuros. Para criar mais espaço de bem-estar dentro da gente. Para ser mais felizes e bondosos. Para respirar mais macio. Podemos ainda subestimar a nossa coragem para assumir esse aprendizado e acolher, passo a passo, no nosso ritmo, essa experiência. Podemos nos acostumar a olhar o peso e o aperto, nossos e alheios, tanto sofrimento por metro quadrado, como coisa que não pode nunca ser transformada. Podemos sentir um medo imenso e passar longas temporadas quase paralisados de tanto susto. Podemos esgotar vários calendários sem dar a menor importância para o material didático que, aqui e ali, a vida nos oferece. Podemos ignorar as lições do livro-texto que é o tempo e guardar, bem escondido da nossa prática, esse caderno de exercícios que é o nosso relacionamento com nós mesmos e com os outros. Apesar disso tudo, a nossa semente, desde sempre, já inclui as asas. Já vislumbra o voo. Já sorri pro riso. Já é feita para um dia fazer florir o amor que abriga. Mais cedo ou mais tarde, floresce. É o propósito dela.



Ana Jácomo   

A palavra que o sonho humano alimenta

Liberdade

essa palavra que o sonho humano alimenta, 

que não há ninguém que explique 

e ninguém que não entenda.






Cecília Meireles

O poder de acordar sorrisos





10 novembro, 2011

Não lembro quando não tinha você



“Algumas pessoas se destacam para nós (…) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (…) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor. “



Ana Jácomo

meu desejo

08 novembro, 2011

Longe

Cuidado com quem você deixa entrar na sua bagunça




(...) Algumas pessoas arrumam, 
outras bagunçam ainda mais, 
e tem outras…
Ah! As outras vivem na bagunça com você 
e nem ligam, 
se tá arrumado, se não tá. 
Elas só querem estar ali. 
Com você.




Pedro Rocha

Bendita seja a claridade das palavras





De repente, um silêncio tão bem dito que não entendi mais nada. Ao contrário de outros, alguns silêncios apagam a luz.

Bendita seja a claridade das palavras também quando permitem que dúvidas sejam dissolvidas. Que equívocos não sejam alimentados. Que distâncias não cresçam. Que a confiança prevaleça. Que o afeto não se torne encabulado. 

Bendita seja a claridade das palavras também quando ficamos no escuro da incompreensão, tateando as paredes deste cômodo pouco ventilado à procura de um interruptor qualquer que acenda o nosso entendimento. 

Bendita seja a claridade das palavras também quando aproximam, em vez de afastar. Quando nos possibilitam o conforto da verdade, mesmo que ela desconforte. Quando simplesmente queremos saber o que está acontecendo com as pessoas que amamos simplesmente porque amamos. 

Bendita seja a claridade das palavras quando ditas com o coração. Ele sabe como acender a luz. 


Ana Jácomo

04 novembro, 2011

Mude, de novo.


Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez. 
Você certamente 
conhecerá coisas melhores 
e coisas piores 
do que as já conhecidas. 
Mas não é isso o que importa. 
O mais importante é a mudança, 
o movimento, 
o dinamismo, 
a energia. 
Só o que está morto não muda!







Edson Marques
(Blog MUDE)

Poeminha amoroso






Este é um poema de amor 

tão meigo, tão terno, tão teu... 

É uma oferenda aos teus momentos 
de luta e de brisa e de céu... 
E eu, 
quero te servir a poesia 
numa concha azul do mar 
ou numa cesta de flores do campo. 
Talvez tu possas entender o meu amor. 
Mas se isso não acontecer, 
não importa. 
Já está declarado e estampado 
nas linhas e entrelinhas 
deste pequeno poema, 
o verso; 
o tão famoso e inesperado verso que 
te deixará pasmo, surpreso, perplexo... 
eu te amo, perdoa-me, eu te amo... 
"Poeminha Amoroso"



Cora Coralina

03 novembro, 2011

O sopro da palavra...



Eu escrevo para fazer existir e para existir-me. 
Desde criança procuro o sopro da palavra que dá vida aos sussurros.





Clarice Lispector

Metade


- Já postei esse poema aqui no blog, mas ele fala tanto ao meu coração que não resisti e postei novamente. Espero que curtam.



Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.












Esse poema é, de fato, de Oswaldo Montenegro. Foi composto em 1975, e faz parte do texto da peça João sem Nome, do mesmo autor, encenada em 1975 em Brasília e Rio de Janeiro. Foi, ainda, gravada no primeiro LP do cantor, em 1977 – Trilhas. Fazendo uma pesquisa mais profunda, essa dúvida é facilmente sanada. A poesia de Ferreira Gullar que trata da dualidade (daí a confusão de autoria dos poemas), se chama TRADUZIR-SE.

O que já foi.....já foi.

Desista de tentar trazer
o que o tempo já levou.
Deixa voar, deixa rolar, deixa viver.
O futuro é a próxima parada,
larga o passado e abraça
a vida nova que vem chegando














Caio Augusto Leite

Não te deixes destruir





Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.




Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.




Cora Coralina

O sol resolvia



01 novembro, 2011


Eu achava que era você (…) 
na rua, no supermercado, na fila do cinema… 
Virei uma caçadora de você em todas as pessoas. 
Eu queria te ver apenas.










































Tati Bernardi

Quem gostou da Ideia