30 abril, 2012

É de flores que eu falo



Vim aqui pra falar de flores. Pra falar dessa gente luzeira que acha sempre um jeitinho de iluminar nosso caminho. É uma palavra bonita de cá, um sorriso de lá e pronto, nossa alma acesa outra vez.

É dessa cambada que cresce na vida da gente de um jeito mágico. Que faz abrigo com as palavras pra gente morar. Faz problema virar marmelada, faz doce e festa em cima do tédio.

E são elas, que acendem a alma e repõe alegrias, que eu quero ter pra sempre ao meu lado. Gente que não conta vantagem, gente que não disputa, gente que ri alto e lê poesia.

Gente que vê riso em tudo, carregada de sol e harmonia.
Gente que sonha, que desaprende medos, que borda histórias com fios de amor e cuidado. Gente que respeita, que costura finais felizes em cima de histórias tristes.

Gente que costura nuvens, que planta risos no quintal do vizinho.
Gente que luta todo-santo-dia contra o mau humor, sementes do mal e gente ruim.
Essa gente que tem a bandeira da auto-estima hasteada no peito.

Essa gente que luta, que briga, que sofre, mas que continua em pé.
Gente aprendiz de girassol. Que espalha pólen de luz. Que acaricia a alma com requintes de delicadezas. Com palavras de carinho, com toques de acalanto.

Gente como a gente. De poucos nós. Feitas de abraços e de risos.
Gente que é flor. Com jeito de sol.




Cris Carvalho

29 abril, 2012

Das delicadezas



Achei uma delícia. Uma delicadeza de fazer gosto. Viajei na inocência das palavras e do desenho. Se tiver um tempinho pra se encantar hoje, assista. Encheu meu coração de coisas boas.

Poemas de Manoel de Barros. Desenhos de Evandro Salles. Vídeo integrante da exposição "Arte para Crianças".



28 abril, 2012

Devemos voar

Tem certas coisas na vida da gente que nos marcam grandemente. Eu lembro da época que fazia faculdade de direito, no último dia de aula de sociologia, minha professora sentou em cima da mesa (literalmente), cruzou os braços e disse que ia nos contar como ela nos via. Relatou lindamente essa história de James Aggrey, que Leonardo Boff reproduziu em seu livro. Lembro exatamente da sensação que tive quando ia ouvindo a Luciana desenrolando o final e, logicamente as lagrimas vieram...tentei engolir, mas foi inútil. Me despedi dela, agradeci o belo gesto de nos fazer acreditar que somos maiores, muito maiores do que nos percebemos e corri para a livraria para comprar meu livro. Descobri várias coisas sobre a águia...como ela vive, sobre sua decisão de se renovar ou morrer, como cria seus filhotes e desde então...nunca mais deixei ninguém (nem eu mesma) dizer que sou menos que uma águia. Se ainda não conhece a história, vale o play, foi muito bem narrado esse vídeo. Adorei dividir isso com vocês.



"Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa. Sou tal qual moringa d’água. Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz ideia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino."









Solange Maia




"Imagine que vou fazer uma longa viagem, sem saber quando volto, e você vai até a estação de trem para se despedir de mim. Se depois nos comunicarmos por carta ou telefone e nos lembrarmos da despedida, não estaremos falando da mesma coisa, mesmo que imaginemos que sim. A minha lembrança e a sua serão diferentes, isso quando não forem exatamente opostas. Você se lembra de um homem que se afasta em um trem e que acena da janela. Mas eu me lembro de um homem imóvel em uma plataforma e de que ele ficava cada vez menor. É a única coisa que podemos compartilhar: a sensação do outro ficando menor. Trata-se de algo que encontra eco em nossas emoções. Quando nos distanciamos fisicamente de alguém, sua presença no inconsciente se reduz progressivamente. Talvez, nesse sentido, o que acontece no nível óptico seja mera preparação para o que acontecerá na mente. Mas voltemos ao início: a experiência nunca pode ser compartilhada. Ela é servida sempre em frascos individuais."




Fransesc Miralles em: Nietzsche para estressados, de Allan Percy
"Nenhum de de nós quer morrer. Queremos ficar, ainda que seja a marretadas, no coração do outro. Nenhum de nós quer não ser. Aliás, como seria não ser mais, já tendo sido um dia?"









Hilda Hilst

27 abril, 2012

Porque hoje é sexta feira





vive as grandes perguntas agora

"Tem paciência com tudo não resolvido em teu coração e tenta amar as perguntas em ti, como se fossem quartos trancados ou livros escritos em idioma estrangeiro. não pesquises em busca de respostas que não te podem ser dadas, porque tu não as podes viver, e trata-se de viver tudo. vive as grandes perguntas agora. talvez, num dia longínquo, sem o perceberes, te familiarizes com a resposta." 








Rainer Maria Rilke

Assim Assim


Cinco personagens cruzam-se numa esplanada dando início a uma viagem pelas suas vidas. "Assim Assim" é um filme sobre relações, sobre aquilo que queremos para nós e o que não conseguimos alcançar. Entre boas e más relações, amores e complicações, tudo pode acontecer.

Esta é a sinopse oficial de "Assim Assim", um filme português que, estreado a 19 de abril, teve mais de quatro mil espetadores só nos primeiros quatro dias de exibição. Sérgio Graciano é o realizador desta película, que surgiu a partir da curta-metragem homônima, que venceu o primeiro mês de competição do Shortcutz Lisboa, em Janeiro de 2010.

Com currículo vasto na área da televisão, em que realizou séries de televisão como "Laços de Sangue" e "O Último Sair", o cineasta Sérgio Graciano conseguiu a proeza de fazer "Assim Assim" por apenas 25 mil euros, a partir de um argumento de Pedro Lopes, com a nata dos atores portugueses da nova geração.

Eis a curta-metragem "Assim Assim":








Fonte: Cinema Sapo

25 abril, 2012

Humor a qualquer preço vale?

Como sou avessa a bestificação do ser humano e ferrenhamente contra aquela máxima "perco amigo mas não perco a piada", resolvi ser solidária com a indignação do Wagner Moura em relação ao humor a qualquer preço. Resolvi postar a carta aberta escrita por ele para que cada um fizesse uma leitura critica, pelo menos pensasse sobre o assunto de forma inteligente. Se colocasse no lugar do outro que está sendo alvo de "chacota". Eu acredito no humor, no "bom humor". No humor que faz bem e não mal ao outro. No humor que partilho a gargalhada sem precisar esculachar ninguém. 





Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV, em carta aberta, divulgada no globo.com:

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

” Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"

23 abril, 2012


Eu entendo ele

Ilustração Andrea Ebert


Era uma ousadia ler Clarice naquele tempo, 
ninguém entendia direito, 
diziam que era difícil.
Eu também achava, mas gostava. 
Eu gostava dela.
Tinha um jeito de ver por trás, por dentro, 
que eu achava que também tinha. 
Que só eu tinha.





Caio Fernando Abreu

A prece maior






A prece maior é ser generoso com o vizinho. É estampar um sorriso no rosto. É falar a verdade toda vida. É ser caridoso. É ser fiel com os amigos. É estar do lado do bem. É cantar pruma criança dormir. É brincar com elas numa tarde grande. É saber que Deus mora em cada pequena coisa com toda sua grandiosidade. É espalhar amor em doses de chuvaradas por aí. 


A prece maior se encontra num abraço, numa conversa jogada fora num dia de domingo. Numa palavra que salva, que enriquece, que abençoa. Num conselho que transforma a vida de alguém. Num olhar carinhoso. Numa mão que ampara, que acolhe, que semeia.

A prece maior se encontra onde há esperança, onde mora a palavra AMOR. A prece maior se encontra onde há recomeços, onde há dias recheados de paciência e tolerância. Onde há uma história comprida com gente bonita morando dentro. A prece maior se encontra no que não se acaba, no que permanece, apesar dos pesares todos.

A prece maior é ser feliz por nada. É agradecer por tão pouco. É amar até quem não nos ama. É respeitar os limites, os medos, as diferenças. É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos. É ter os olhos voltados para o sol. É ter o coração tranquilo. É levar uma semente de esperança onde a flor da vida já secou faz tempo.


A prece maior a gente não faz ajoelhado, a gente faz é sorrindo.


Cris Carvalho

21 abril, 2012

Vou seguir...







Passou pela minha cabeça voltar, 
mas o vento balançou os meus cabelos 
e mostrou que o caminho é para frente, 
reto e sem curvas.


***

Para você que não aprendeu a ser feliz
e que não tem olhos para esticar
horizontes, eu canto meu refrão:
sendo aquele que sempre traz amor,
sendo aquele que sempre traz sorrisos.
E permanecendo tranquilo aonde for.
Paciente, confiante e intuitivo






Caio Fernando Abreu

Vou contigo






Dê apenas um passo por mim. 
Eu prometo 
que caminho todo o resto com você. 





 Caio Fernando Abreu


Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?’ 



Tati Bernardi

Minhas tardes com Margueritte



Eu gosto muto de filme Frances e hoje vi um que é uma delicadeza. Para pessoas que gostam de ler, como eu (pois foi baseado no livro  "La Tête en Friche" de Marie-Sabine Roger) é um deleite. Simples assim, é uma história sobre os encontros inesperados da vida. Germain é um iletrado e solitário homem. Para preencher suas tardes, ele faz amizade com a senhora Margueritte. Dentro desta ideia, existem várias nuances que dão um colorido todo especial a história de Jean Becker.


Título original: La Tête en Friche
Lançamento: 2010 - França
Direção: Jean Becker
Atores: 
Gérard Depardieu, Gisele Casadesus
Duração: 82 min
Gênero: Comédia Romântica

Baseado no livro "La Tête en Friche" de Marie-Sabine Roger






Até a caixa do DVD por dentro tem todo um diferencial...







Vou deixar aqui registrado um trecho que amei.

"Foi um encontro discreto do afeto com o amor.
Ela não tinha teto. Tinha nome de flor.
Vivia cercada de palavras, adjetivos, substantivos,
verbos e advérbios.
Alguns chegam sem jeito.
Ela chegou com doçura.
Quebrou minha armadura e se alojou no meu peito.
Nas histórias de amor, não há apenas o amor.
Nunca dissemos..."eu te amo".
No entanto, nos amamos.
Não é uma história comum,
ela leu para mim num banco de jardim.
Era frágil como uma pomba
sentada àquela sombra
cercada de palavras 
de nomes comuns como eu.
Me deu muitos livros, que me tornaram mais vivo.
Não morra agora, espere um pouco, não é a hora
Doce senhora.
Me dê um pouco mais ainda,
um pouco mais da sua vida,
espere...
Nas histórias de amor, não há apenas o amor.
Nunca dissemos..."eu te amo".
No entanto, nos amamos."




20 abril, 2012

Hugh Laurie - After You've Gone

Olhem só quem eu trouxe para cantar pra nós hoje....

Vale o play...um carinho para os ouvidos




Why Try To Change Me Now


Tô deixando a música que estou ouvindo hoje...delicinha.



+ selinho + Carinho




O Desaguando recebeu mais um carinho, desta vez foi do Blog Faz de Conta da querida Maíra Cunha.

A regra é responder a este quiz e fazer as indicações:

Diga uma coisa óbvia sobre ti: Café e Coca-Cola.

Qual o teu maior medo? O próprio medo, pois ele me impede de seguir

Qual tua cor favorita? Vermelho

O que mais gosta de fazer? Encontrar com os amigos para café com bobagens

Qual estação do ano prefere? Outono

Qual teu vício? Internet

Qual a coisa mais maluca que fizeste? Queria muito contar, mas não vou poder =P

Qual a coisa que mais odeias? Gente falsa

Se pudesses mudar algo em ti o que seria? Queria ser uns 10 cm mais alta (tenho 1,60) rs

Qual tua viagem dos sonhos? Londres



Indico:


Pequenas Epifanias


365 palavras


Fashion Mood


Busca de sentidos


A menina da Bolha

18 abril, 2012

Alma “amiguirmã”

Coisa leve é ter uma alma “amiguirmã”
ocupando todo o espaço,
sorrindo com a gente em algum canto,
compondo simplicidades.

Leve porque você intui
a quase certeza de que nada falta
(mesmo que falte um mundaréu de coisas),
e que a distância ainda vai sair perdendo.

Leve porque o caminho de dentro
fica ainda mais curto.
Muito mais perto.

(Disso eu entendo.)



Priscila Rôde

Os escolhidos






Suspeito que os nossos escolhidos colecionam os segredos mais antigos, os mistérios mais remotos. A chave de tudo. O domínio de uma porta que pra gente, jamais se abriria novamente. O dom de uma palavra que até ontem, não fazia sentido. Colecionam os nossos cantos, as nossas intimidades e as nossas vertigens. E vertem com a gente. Por isso, na dúvida, antes de escolher os meus ombros, ponho muito coração nos olhos e sinto.


Vai que eles resolvem ficar pra sempre...?



Priscila Rôde

17 abril, 2012

Selinho = carinho

O blog ganhou mais um selinho das queridas Ana Martins Blog Pequenas Epifanias, Chris Macêdo do Blog Coisas que eu sei  e do Blog da Jane Izar. Fico muito feliz com o reconhecimento, sempre que ele vem (o selo) meu coração fica grato. O DESAGUANDO é um trabalho que me dá muito prazer. Obrigada Ana. Obrigada Chris. Obrigada Jane.






repassando: (apenas repasse para seus blogs favoritos)

Faz de Conta - Maíra Cunha
Diário da Dani - Daniele
Na Rede - Vanessa Castro
Letras (im)possíveis - Valéria Lourenço


Mais que laços, nós




Há uma beleza toda única em dividir. Partilhar. Sorver presença e contiguidade. Em meio ao materialismo mais ensandecido, o maior tesouro é ter com quem criar experiências, laços. Alguém que, assim, sem maiores interesses, tome partido de nossas vitórias e perdas, mas que também se ocupe de aproveitar conosco as coisas mais bobas e corriqueiras. Amigos. Esses seres insondáveis que chegam junto nas tempestades e nas horinhas de descuido. Essas criaturas fantásticas com quem a gente desfia conversas de uma vida inteira. Esses gêmeos perdidos cujas afinidades mais várias nos obrigam a cair de amores. Essas surpresinhas inusitadas, cujas diferenças a gente ama, mas usa pra fazer piada com trollagem de amor. Amigo de verdade desconhece formalidades. Te xinga, te pede favor sem cerimônias, te liga na pior hora pra chorar as tristezas, ri das tuas incoerências sem medo de soar grosseiro ou insensível. Arreganha a porta da tua intimidade, entra, senta e toma um café. Ao lado, em outra cidade, por trás de uma tela, dentre as linhas de uma correspondência; amigos de infância, amigos de colégio, amigos que montam uma banda, amigos distantes, amigos até de blogs (ou virtuais que são bem reais) – elas tornam o fardo mais leve, a vida mais doce, as conquistas mais empolgantes. Bem podiam chamar-se heróis. 






Texto de Aline Aimée.

A menina com uma flor de Vinicius

Vinicius de Moraes


"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. 

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara– na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor." 


Vinicius de Moraes

16 abril, 2012

Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, 

acorda e põe a sua roupa de viver.










Clarice Lispector

É no líquido que somos desvendados








Saudade eu tenho do que não nos coube. Lamento apenas o desconhecimento daquilo que não deu tempo de repartir, você não saboreou meu suor, eu não lhe provei as lágrimas. É no líquido que somos desvendados. No gosto das coisas o amor se reconhece. O meu pior e o seu melhor, ficaram sem ser apresentados. 




Martha Medeiros
in Cartas Extraviadas

14 abril, 2012

Do que me cabe





Na minha dor cabe o tempo. O tempo de esquecer, de levantar. Tempo de virar a página e partir pra outra. De tentar ser mais e melhor. De buscar energia positiva em volta de pessoas do bem. Tempo de me amar.

Na minha alegria cabe o riso. O riso daqueles que convivem comigo. De dias grandes cheios de gente dentro. De conversas jogadas fora. De gente fazendo gracinha só pra me encantar.

Na minha amizade cabe um abraço. Daqueles que envolvem o mundo todinho com as mãos. Daqueles que esquentam e traz paz e carinho, aconchego e vontade de ficar morando dentro. 

Na minha prece cabe o outro. Aquele que mora do outro lado do mundo e que eu não conheço, mas sei que existe. Que existe e precisa de luz. Que existe e precisa de paz. Pra ele eu mando meus pensamentos mais bonitos, pra ele eu mando o pouco que me cabe, mas que é inteiro coração. 

Na minha solidão cabe um livro. Pode ser Clarice, Caio ou Adélia. Cabe um lágrima rolando sozinha, mas que me acrescenta algo de divino. A lágrima é que me humaniza. Faz com que eu estique a alma num varal de delicadezas. 

Na minha eternidade cabe nós. Cabe eu e minha família. Eu e meus amigos. Os de perto, os de longe, os do outro lado da tela do computador. Cabe os dias bonitos. Cabe os choros divididos, os risos compartilhados, os abraços jamais esquecidos. Cabe os laços, cabe as luzes, as memórias e suas saudades. 

Na minha vontade cabe um jardim. Uma casa toda branca com janelas azuis. Uma roseira no quintal e um girassol na porta de entrada. Cabe um amor limpinho morando dentro dela. Cabe eu e minha história, bordada de afinidades, amor e leveza. 


Cris Carvalho

Cheia de sol



Dias e noites se somavam pra mudar o que ia dentro dela. Histórias tristes, mesmo que passadas, causavam pesadelos. Mas na boca, o gosto de eternidade era de momentos lindos.


Enquanto ela não sabia o que fazer do passado, ela ia se alimentando de versos e falava em cores, flores e passarinhos. Passava horas anotando sonhos e pedidos às estrelas cadentes.


E num faz de conta que esquecia histórias tristes, redescobria magias escondidas em algum canto. E pintava um amor novinho em folha, com direito à cartinhas e versinhos de amor para distrair os olhos.


Bordava uma porção de amizades por onde passava e escolhia a dedo as pessoas que continuariam em seu caminho. Plantava boas intenções e colhia um monte de surpresas.


Quando a menina se desestabiliza e desmorona, Deus vai lá e reconstrói. Dá a ela uma página em branco, pra ver se dessa vez ela não comete tantos erros. E aprenda de uma vez por todas que pensar só com o coração dói e pensar em quem não merece é besteira.


Então ela faz assim: pela janela debruça o olhar sobre uma vida bonita. E renasce. Fica forte outra vez. De sol em sol ela armazena energia e recupera sorrisos. Bota bobagens pra dormir e pisa forte no medo. 

Algumas vidas, olhadas de perto, fascinam os olhos e salvam o dia. Mesmo sem saber, algumas pessoas têm o dom de transmitir paz e harmonia pra menina que gosta de descansar o olhar sobre outras vidas que, mesmo complicadas, não deixam de ser poesia. 

E todas as manhãs a menina envia um sorriso de sol como forma de agradecimento pela poesia que ela lê todos os dias.


Cris Carvalho

13 abril, 2012

"Everything"

E quando o amor já era dado como morto....





Sexta, 13. O amor, o azar, a sorte.

Repare nessa história verdadeiríssima:

E quando imaginávamos que estava tudo acabado, que amor não mais havia, que tinha ido tudo para as cucuias, que o fogo estava morto como no engenho de Zé Lins, que o amor era apenas uma assombração do Recife Antigo…

Quando já dizíamos, a uma só voz, aquele texto de Paulo Mendes Campos:

“Às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba…”

Quando já separávamos, olhos marejados, os livros e os discos…

Quando mirávamos, no mesmo instante, a nossa foto feliz no porta-retratos…

Quando não tínhamos nem mais ânimo para as clássicas D.R´s –as mitológicas discussões de relação…

Ave, palavra, até o gato, nervoso, sem saber com quem ficaria, quebrava coisas dentro de casa àquela altura; o papagaio blasfemava, diabo verde!

Estava na cara, naquela fantástica zoologia amorosa: aqueles pombinhos já eram.

O cheiro do fim tomara todos os cômodos, a rua, o quarteirão, o bairro, a cidade, o mundo…

Quando só restava cantar uma música de fossa… “Aquela aliança você pode empenhar ou derreter…”

Quando só restava a impressão de que eu já vou tarde…

Quando só restava Leonardo Cohen no ipod da moça…

Quando eu não era mais o cara, embora insistisse em cantar o “I´m your man” deste mesmo trovador canadense…

Sim, o quadro era triste, não se tratava de hipérbole ou demão de tintas gregas.

De tanta inércia, faltava até força para que houvesse a separação física, faltava força para arrumar as malas, pegar as escovas, contar aos chegados comuns.

Ah, amigo, quer saber quem bateu o ponto final da história?

Ela, claro, você acha que homem tem coragem para acabar qualquer coisa? Mulher é ponto final; homem ponto e vírgula, reticências, atalhos.

O estranho é que ela não disse, em nenhum momento, que não gostava mais do pobre mancebo.

Aquilo encucava. Porque um homem, disse o velho Antonio Maria, padrinho sentimental deste cronista, nunca se conforma em separar-se sem ouvir bem direitinho, no mínimo quinhentas vezes, que a mulher não gosta mais dele, por que e por causa de quem etc etc, milonga do adiós.

E nesse clima de fim sem fim as folhinhas outonais do calendário foram despencando sobre a relva fresca do desgosto.

Eu acabara de levantar do amigo sofá, que havia se transformado no meu leito, quando ela passou com uma cara de impaciência e desassossego.

Mais que isso: ela estava com vontade de matar gente!

Era a cara que fazia quando estava faminta. Sabe mulher que fica louca quando a fome aperta?

Vi aquela cena e caí na gargalhada. A princípio ela estranhou… Mas sacou tudo e danou-se a morrer de rir igualmente. Nos abraçamos e rimos e rimos e rimos e rimos daquilo tudo, rimos da nossa fraqueza em não dar uns nós nos clichês, inclusive o da volta por cima, rimos do nosso silêncio sem sentido, rimos desses casais que se separam logo na primeira crise, rimos da falta de forças para enfrentar os maus bocados, rimos, rimos, rimos.

E um casal que ainda ri junto tem muita lenha verde para gastar na vida e fazer cuscuz com carneiro.

Agora ela está deitada, linda, cheirosa, gostosa, psiu!, silêncio, ela dorme enquanto escrevo essa crônica!



Xico Sá
Blog da folha

Vai...


Vê se me esquece

Já que você não aparece,

venho por meio desta

devolver teu faroeste,

o teu papel de seda,

a tua meia bege,

tome também teu book,

leve teu ultraleve

carteira de saúde,

tua receita de quibe,

de quiabo, de quibebe,

do diabo que te carregue,

te carregue, te carregue

teu truque sujo, teu hálito,

teu flerte, tua prancha de surf,

tua idéia sem verve,

que nada disso me serve

Já que você não merece,

devolva minhas preces,

meu canto, meu amor,

meu tempo, por favor,

e minha alegria que,

naquele dia,

só te emprestei por uns dias

e é tudo que lhe pertence




PS: Já que você foi embora por que não desaparece?



Alice Ruiz

Uma palavra



Uma palavra. 

Disse-a. Amo-te -

 uma palavra breve. 

Quantos milhões de palavras eu disse 

durante a vida. 

E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. 

Mas houve uma palavra - meu Deus.

Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti,

palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras,

da minha vida inteira, 

do universo que nela se conglomerava, palavra total. (...)

Uma palavra.

 A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. 

A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. 

Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder.

Ao princípio era a palavra. Eu a soube. 

E nada mais houve depois dela.





Uma palavra. Amo-te.







[Vergílio Ferreira, in “Para Sempre”,1983]

11 abril, 2012

Não, eu não sou fofa




"Fofoca. Dor de dente. Dor de cotovelo. Gente sem noção. Grosseria.Telemarketing. Telefone. Gente que não tem nada a ver com a história. Imposto de renda. Falta de dinheiro. Falta de saúde. Falta de jeito. Falta de pontualidade. Falta de atitude. Falta de humor! Ficar gripada no feriado.  Cólica. Jiló. Gente pessimista. Engordar. Tédio. A violência no mundo. Gente que fala “é nuix”. Homem mudo por opção. Homem hetero que usa mais cremes que eu. Mulher que não tem personalidade, te imita em tudo e finge que é original. Frases sem créditos ao autor. Fotos sem crédito ao fotógrafo. Falta de respeito aos artistas. Falta de incentivo aos artistas que realmente precisam. Espinha (de qualquer tamanho, em qualquer lugar). Pinça ruim que não pinça nada. Piriguete que curte TUDO que seu namorado posta no facebook. Homem que faz luzes no cabelo.   Gente que se faz de vítima. Bipolares não diagnosticados (e, consequentemente, não tratados). Caneta estourar dentro da bolsa. Jornal Nacional. Música ruim. Sapato que arranca o esmalte do dedão. Gente que acha que é muito amiga. Transporte público. Trânsito em Niterói. Pessoas com perfume forte que te abraçam e te impregnam com o cheiro. Quebrar a unha. A faxineira te mandar SMS avisando que só volta daqui a duas semanas. Lavar louça. Ir à praia e se preocupar com o filtro–solar toda hora .  Fazer dieta. Políticos corruptos. Sentir ciúmes. Ficar sem tempo pra não fazer nada. Gente que só te pede favor. Gente que fala palavrão demais. Pseudo-intelectuais. Gente com visual muito moderno (tenho aflição e fico confusa). Homens com calça skinny que não sejam magrelos e não pertençam aos Strokes. Heteros mais sensíveis que eu (vocês estão de sacanagem, né)? Gente com mania de grandeza . Pessoas que maltratam garçons e vendedores de lojas (me identifico com ambos. E sofro).  Gente que tira foto SÓ pra postar no facebook e fingir que é feliz. Refrigerante Mineirinho (não posso esquecer disso nunca, é minha criptonita!). Viajar de ônibus com alguém do seu lado que dorme praticamente no seu ombro. Filmes dublados (sempre com a voz da família Dinossauro – socorro!). Ficar no vácuo no What´s up. Dizer “te adoro” e ouvir: “OK”. E, o pior de tudo: descobrir que essa lista ainda nem começou…"


*Texto adaptado para minha realidade*


Fernanda Mello 

Homens são simples....







Chega de desculpar tanto, de tampar o sol com a peneira. Quando um cara REALMENTE está a fim de você, ele vai até o inferno por você. Essa verdade ninguém me tira. Não tem trabalho, família, futebol, amigos, crise existencial, nem celular sem bateria que façam com que ele – caso tenha educação e a mínima consideração – não tenha tempo de dizer um simples “oi”. Isso não é pedir muito, concorda? O cara não precisa dar satisfação a toda hora, te ligar várias vezes por dia, isso é chato e acaba com qualquer romance. O que eu quero dizer é que mulher precisa de carinho. Atenção. E uma sacanagem bem-dosada. Se o sujeito vive brincando de esconde-esconde, não responde lindamente suas mensagens, não te chama pra sair com os amigos dele e nem tenta te agarrar quando você diz que está com uma lingerie de matar por debaixo da roupa, minha amiga, o negócio está feio. Muito feio. Confesso que não é tarefa fácil colocar um ponto final de uma hora pra outra nessas histórias. Somos seres românticos, abduzidos pelos finais felizes dos filmes e livros. A gente sempre acha que alguma coisa vai mudar, que ele vai perceber TUDO o que está perdendo e vai aparecer com flores na porta da nossa casa. Mas a realidade é diferente.

Não somos a Julia Roberts, não estamos numa comédia romântica e, na vida real, homens são simples e previsíveis. Quando eles querem uma coisa, não há nada – nem ninguém – que os impeça. Portanto, anotem aí: quando um cara está a fim de você, ele vai te ligar, ele vai te procurar, ele vai te beijar, ele vai querer estar sempre com as mãos em cima de você. Não sou radical, apenas cansei de dar desculpas pra erros que não são meus. Ou são.



Fernanda Mello

A vida lá fora me chama




Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa (…) Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!



Fernanda Mello

Me traduzindo por Fernanda Mello

Música do dia

10 abril, 2012

Eu, inimigo meu



"Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais admirável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?"



Carl Gustav Jung

Querido John




Há tanta coisa que quero dizer para você, mas não tenho certeza por onde devo começar. Devo começar dizendo que te amo ? Ou que os dias que passei com você foram, os mais felizes da minha vida ? Ou que, no curto espaço de tempo que nos conhecemos, passei a acreditar que fomos feitos um para o outro ? Poderia dizer todas essas coisas e tudo seria verdade, mas, enquanto releio essas palavras a única coisa que passa pela minha cabeça é que queria estar com você agora, segurando sua mão e olhando seu sorriso efusivo. No futuro, sei que vou reviver o tempo que passamos juntos mil vezes. Vou ouvir seu riso, ver seu rosto e sentir seus braços em torno de mim. Vou sentir falta de tudo isso, mais do que você pode imaginar. Você é um cavalheiro raro, John, eu estimo isso em você. Todo o tempo em que estivemos juntos, você nunca me pressionou para dormir com você, e eu não posso dizer o quanto isso significa para mim. Tornou o que temos ainda mais especial, e é assim que eu quero me lembrar para sempre do período que que passamos juntos. Como uma luz branca e pura, cuja contemplação é de tirar o fôlego. Penso em você todos os dias e sei que, quando for te ver amanhã, dizer adeus será a coisa mais difícil que já fiz. Parte de mim teme que chegue um momento no qual você não sinta mais o mesmo sentimento, que por algum motivo você esqueça o que nós compartilhamos, então é isso que eu quero fazer. Onde quer que você esteja e não importa o que esteja acontecendo em sua vida, na primeira noite de lua cheia – como na noite em que nos conhecemos – quero que você a encontre no céu noturno. Quero que você pense em mim e na semana que partilhamos, porque, seja onde for, seja o que estiver acontecendo na minha vida, é exatamente isso o que vou fazer. Se não podemos estar juntos, pelo menos podemos compartilhar isso, e talvez entre nós, sejamos capazes de fazer isso durar para sempre. Eu te amo, John Tyree, e eu vou agarrar-me à promessa que uma vez você fez para mim. Se você voltar, vou casar com você. Se você quebrar a sua promessa, vai partir meu coração. 



Com amor, Savannah.


*

Embora soubesse que ela me amava e se importava comigo, de repente entendi que, às vezes, nem mesmo amor e carinho são suficientes. Eles eram tijolos de concreto do nosso relacionamento, mas também eram instáveis sem a argamassa do tempo compartilhado, do tempo sem a ameaça da separação iminente que pairava sobre nós.



Nicholas Sparks in Querido John



Estilhaça-me






Somente agora sei que os cientistas estão errados.

O mundo é achatado.

Sei porque fui atirada da margem do planeta e há dezessete anos ando tentando me segurar. Há dezessete anos tenho tentado escalar de volta, mas é quase impossível superar a gravidade quando ninguém está disposto a lhe dar a mão.

Quando ninguém quer o risco de tocar em você.


*


Às vezes penso que a solidão dentro de mim explodirá pela pele e, às vezes, não tenho certeza se chorar ou gritar ou rir de histeria resolverá alguma coisa. Às vezes estou tão desesperada por tocar, por ser tocada, por sentir, que tenho quase certeza de que vou cair de um penhasco em um universo alternativo no qual ninguém, nunca, será capaz de me encontrar.

Não parece impossível.

Tenho gritado por anos e ninguém jamais me escutou.



*


Não há tantas árvores como antes, é o que dizem os cientistas. Eles dizem que nosso mundo costumava ser verde. Nossas nuvens costumavam ser brancas. Nosso Sol era sempre o tipo certo de luz. Mas tenho frágeis memórias desse mundo. Não me lembro muito de como era antes. A única existência que conheço agora é a que me foi dada. Um eco do que costumava ser.


*


Ele senta a meu lado e apoia-se na parede. Seus ombros estão tão perto muito perto nunca perto o bastante. O calor de seu corpo faz mais por mim do que o cobertor jamais fará. Algo em minhas articulações dói (...), uma necessidade desesperada que nunca fui capaz de satisfazer. Meus olhos estão implorando por algo a que não me posso permitir.

Toque-me.




Tahereh Mafi in Estilhaça-me

Quem gostou da Ideia