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25 novembro, 2013

Sobre o estado de graça



Alguns estados de graça são frutos da inocência. Não sabermos de algo e estarmos no meio de um fato inusitado, inesperado, uma coincidência, um milagre. Um encontro ao acaso é sempre milagroso, porque se opera por razões alheias à vontade. Concorrer para situações únicas é estar disponível para a surpresa. Falar com alguém sem saber que é justamente a pessoa que está procurando. Encontrar um livro sem saber que lhe trará a informação de que precisa. Os estados de graça acontecem por estarmos fora da realidade imediata, em contato com as respostas que pairam acima de nossa cabeça. Então ouvimos. Então sabemos. Então aprendemos. Então seremos testemunhas únicas de fatos que só aconteceram para nós. Essa unicidade é o todo. É a mágica que faz cada um ser um e ao mesmo tempo todos. 





Thereza Rocque da Motta

13 julho, 2013

Discernimento

“tentar e saber reconhecer
quem e que coisa, em meio
ao inferno, não é inferno,
e fazer durar e dar-lhe espaço.”

— italo calvino, as cidades invisíveis.



28 junho, 2013

Das coisas que eu queria ter escrito





"Nunca senti tanto a ausência de um corpo quanto eu sinto agora. Você me transborda. Você me entorta as vigas de minha estrutura arquitetônica moralista.(...)
Eu acho que estou feliz. E assim nos furtamos. Já não há mais dois corpos. Há um ser apenas. Pronome que gramática alguma gerou. Mar inédito que homem algum mergulhou. Casa antiga reinaugurada por suas mãos."



Letícia Palmeira

18 julho, 2012

Devagarinho




"Diz ele que se farta de ver mulheres muito bonitas, cuja beleza o sufoca assim que as vê, mas que nunca tenta nada com elas porque simplesmente não acredita nesse tipo de paixão. A beleza é como o chocolate, disse, é doce mas pode enjoar. O André quer começar a sentir-se apaixonado por uma mulher apenas dois ou três meses depois de a conhecer. Devagarinho, como ele repetiu insistentemente, de forma a perceber que também ela se apaixona por ele da mesma maneira.
- Isso não é ser esquisito? - perguntei enquanto enchia de novo os copos.
- O Amor é como uma bola de neve. Se não estiver sempre a crescer, desfaz-se.
- É ser esquisito, sim. - concluí.
- Sabes porque é que somos amigos há mais de vinte anos? - Tocou de novo no sofá como se estivesse a tocar o passado, desta vez o nosso.
- Porque nos damos bem.
- Porque somos amigos lentos um com o outro. Não exigimos nada um do outro a não ser honestidade e companhia de vez em quando. É mais ou menos assim que eu me quero apaixonar, mas por uma mulher."




por Bagaço Amarelo,
em "Não compreendo as mulheres"

30 junho, 2012

Diz a lenda
que ele trocou suas certezas
por alguns sonhos mágicos.






— Cícero, joão e o pé de feijão

26 junho, 2012

Preconceito

O humor para minha vida é essencial. Os meus amigos tem veia cômica (indispensável).
Duas coisas me fascinam em uma pessoa (sem falar na sensibilidade) humor e inteligencia...
até acredito que uma está de braço dado com a outra.
O Paulo Gustavo seria meu melhor amigo facinho...rsrsrsrs. AMO.
Ele tem o poder de despertar meu melhor sorriso.


23 junho, 2012

A chave




Acredito que há chaves imaginárias para cada um de nós. E vez em sempre, elas se perdem ou nós a perdemos, vai saber. Quantas vezes achamos que aquela porta é a nossa e a abrimos, sem pensar, com ânsia do desconhecido… pra no final, por essa coisa que chamam de destino se-é-que-existe, nos pegar pelo braço e dizer ”ei, você errou de porta. Não é aqui.” Quantas vezes mesmo assim, mesmo sabendo que é errado, forçamos as janelas na tentativa de entrar e ali permanecer? É por isso que andamos tão perdidos. Não no sentido ‘caminho errado’, porque pra mim, todo caminho, seja ele qual for, é caminho. No entanto, nossas chaves se perderam de nós. E aí, como é que se acha? Me entendem? Eu descobri hoje. Assim que acordei. Eu vivo assim, você vive assim, procurando por algo que não sabe o que é. Hoje eu descobri. Eu tive um sonho. Eu as vi. Essa coisa que todos nós procuramos sem saber o que é, são elas: as malditas das chaves. Essas pequenas coisinhas malditas e maravilhosas. Que faz nos perder e nos encontrar.

Aghata Paredes.

20 junho, 2012

Amigo é amor




Amigo. Amigo é Amor. Amigo, na verdade, é mais que amor, ou é o que de mais próximo podemos experimentar do amor. Amigo é conforto. É compreensão irrestrita. É parceria, cumplicidade. É de manhã, de tarde, de noite e madrugadas a dentro. Amigo é despreocupação. Amigo é aquele que nos permite jogar fora as máscaras e dar de cara com o sorriso. Sorriso de verdade. É diferente de olhar um casal apaixonado, bonitinho e coisa e tal. Se os olhos olharem ao lado, para dois amigos de verdade papeando, combinando, fofocando, desabafando, ali estará uma coisa de verdade. Uma coisa à prova de riscos. Acima das coisas pequenas. Tudo no amigo é grande. Os melhores verbos do mundo a gente conjuga com os amigos: brincar, ficar a vontade, desabrochar, chorar, devenear, curtir. Amigo é curtição. É a sem cerimônia que o romance exige. No amor a gente não pode dar bobeira. Tudo exige explicação. Com o amigo, é entendimento. Às vezes eu penso que a gente arranja romances e complicações pseudo-amorosas, só pra depois, contar tudo pra amigo e ver naqueles olhos queridos, camaradagem, cuidado, atenção, carinho dos bons. Com amigo a gente ri até das desgraças. Amigo é risada solta. Amigo é melhor que tudo. (...) Têm teorias que dizem até que, amizade é uma coisa que dá certo porque passa longe de sexo e romance, apesar de toda amorosidade contida numa relação entre amigos. Amigo não vai se encher de você se você tiver com gripe, ou com TPM, ou se você engordar, ou não estiver arrumadinha, ou ainda se você não tiver nem um pouco afim de ficar fazendo carinhas e boquinhas de sedução. Amigo não cansa. Não dá tédio na testa. Não põe chifre. Não te deixa esperando. Sempre telefona. Às vezes, até demais... Amigo gosta de discutir todo e qualquer assunto, até a relação, que sempre vai bem, obrigada! Amigo é uma festa. É certeza de boas viagens, (...) ombro certo em horas incertas, é certeza de que, nunquinha da silva, você vai estar sozinho no mundo. Se o seu mundo cair, é certeza que o mundo do amigo estará lá, de braços muito abertos pra te acomodar. Amigo é bobo. E tem coisa mais esperta do mundo do que ser bobo? Os melhores programas são os bobos. Sair pra comer, pra falar pela enésima vez do mesmo assunto, pra passear no parque, contar estrelas,(...) sair pra fazer compra no mercado, até!... Amigo é dádiva, é presente dos céus, é tesouro como já dizia aquele amigo: "quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro". Eu concordo. Não trocaria um amigo por nada desse mundo, nem mesmo pela possibilidade de um romance quente e avassalador, caso isso fosse posto em cheque. Só que tem um porém: tem que ser AMIGO. Amigo mesmo, testado, jurado e sacramentado aos pés da fidelidade, porque ao amigo é proibido trair. Num romance até pode, mas um amigo, jamais. (Certo, nunca diga nunca!) É que amigo mesmo não trai, no máximo, se engana, e de amigos, são pequenos todos os enganos. Os olhos que medem, medem sempre a menor as falhas do amigo, porque amigo é tão doce, tão bom de ter por perto, ele é força, é um lugar no mundo que é todinho seu, é brigadeiro na panela, é coca gelada, (...) amigo é de Janeiro a Janeiro, amigo é do nascer ao pôr do sol, amigo é luz que não se apaga. Amigo é parceiro até das burradas. Amigo é direção. É norte, é sul, é céu é terra, é suor e riso, é o rosto que chora nossas lágrimas porque a nossa dor é dele também, é boca que grita nosso sucesso, porque nosso sucesso tem a ver com ele também, é aquela mão que tá sempre ali, acenando presença, acenando esperança, acenando que a vida pode ser bonita justamente por ter sido tão amiga permitindo que se encontrem os amigos. Amigo é graça, e graça a gente agradece todo dia, tentando ao máximo ir além do desfrutar, tentando, um pouquinho que seja, retribuir toda a delícia que é ter um amigo. Às vezes eu esqueço de agradecer tudo de bom que possuo na vida, mas tem uma coisa que todo santo dia, ao levantar eu agradeço: a imensa felicidade que sinto por ter um amigo exatamente assim.

Essa é pra você, Amigo!

Be Lins.

A f a s t a m e n t o s




É feito uma noite fria. Numa rua deserta. Sem luz. Tem medo e tem dor. Têm o conteúdo dos pesadelos que a gente não lembra, só sabe que teve porquê despertou no susto. E que susto! É feito uma casa à muito abandonada. Desprovida de beleza. Caem pedaços. É apavorante. Nada se ouve, exceto o som da ausência de tudo. É feito a sensação de perder-se no meio do nada e saber que não há pra onde correr no meio do nada.


A F A S T A M E N T O S


Os humanos conseguem ser bons em quase tudo e se superam nos afastamentos. Parece tão simples para quem se afasta. Como o desligar da tomada. Ou apertar o OFF. Como seguir viagem porquê os trilhos estão prontos para serem trilhados. Não há lenços brancos sendo acenados na janela. Ninguém mais usa lenços brancos entre seus pertences. Não há lágrimas. Quem chora hoje em dia, em dias que ninguém mais chora? Todos estão ocupados demais até para chorar. Não há mais lugar para quem fica para olhar para trás. Só se olha pra frente. Estabeleceu-se que não é de bom tom aparentar-se com arrependimentos. Há que se vencer sempre e não há espaço para sentimentos tidos como MENORES . Por menores decidiu-se chamar a fraqueza, o medo, a dor, a tristeza, a dúvida, a insegurança. Por amostragem descartada, restaram os afastamentos. Parece justo para quem segue. É inexplicável para quem fica.

Quem precisa da coragem à moda antiga? À coragem deu-se um conceito diferenciado. Coragem passou a ser o predicativo dos que seguem sem olhar pra trás. Dos que não se prendem. Não se retardam. Não se atrasam. Não se retêm em meio à pequenezas de meros mortais. Não existem mais mortais. Foram descartados para dar lugar aos que perpetuam-se. A nova coragem é dos... Dos que fazem oque tem que ser feito custe oque custar. Dos que almejam sem devaneios. Dos alcançadores. Dos que não se permitem sentimentos pequenos, muito menos paranóicos. Há tanto a se fazer. E o trem não para além das estações. Ninguém pode ficar parado. As mãos estão ocupadas demais em teclados ínfimos que realizam conexões infinitas. Há o sucesso, o topo, o melhor. Aos corajosos estabeleceu-se o predicativo de não cansar. Não se abater. Não pestanejar. É proibido parar. Há que se seguir. E aos que ficam, fica o aviso de que não impaquem o caminho, e restem-se, silenciosamente, no afastamento.

Aos que ficam
Aos que choram
Aos que ardem


aos que ficaram no meio do caminho, à estes é que digo:
_ há que se ter muita coragem para prosseguir sozinho.
Nesta estação eu vejo coragem. Somente nesta.

G E N U I N A M E N T E .


Be Lins.

22 maio, 2012

O que ando aprendendo...



"Deus me ensinou que tudo o que Ele põe em meu caminho é para o meu bem. O bem me ensinou a dar valor quado as coisas parecem completamente erradas. O errado me ensinou a ver que nem sempre estou certa. O fato de nem sempre estar certa, me ensinou que também falho. A falha me ensinou que posso recomeçar. O recomeço me ensinou que posso acertar. Acertando aprendi que ainda há o perdão. Com o perdão aprendi que ainda existe misericórdia. A misericórdia me ensinou que Deus ainda esta aqui..." 




Rosane Spiandorello

Quem gostou da Ideia