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30 abril, 2012

É de flores que eu falo



Vim aqui pra falar de flores. Pra falar dessa gente luzeira que acha sempre um jeitinho de iluminar nosso caminho. É uma palavra bonita de cá, um sorriso de lá e pronto, nossa alma acesa outra vez.

É dessa cambada que cresce na vida da gente de um jeito mágico. Que faz abrigo com as palavras pra gente morar. Faz problema virar marmelada, faz doce e festa em cima do tédio.

E são elas, que acendem a alma e repõe alegrias, que eu quero ter pra sempre ao meu lado. Gente que não conta vantagem, gente que não disputa, gente que ri alto e lê poesia.

Gente que vê riso em tudo, carregada de sol e harmonia.
Gente que sonha, que desaprende medos, que borda histórias com fios de amor e cuidado. Gente que respeita, que costura finais felizes em cima de histórias tristes.

Gente que costura nuvens, que planta risos no quintal do vizinho.
Gente que luta todo-santo-dia contra o mau humor, sementes do mal e gente ruim.
Essa gente que tem a bandeira da auto-estima hasteada no peito.

Essa gente que luta, que briga, que sofre, mas que continua em pé.
Gente aprendiz de girassol. Que espalha pólen de luz. Que acaricia a alma com requintes de delicadezas. Com palavras de carinho, com toques de acalanto.

Gente como a gente. De poucos nós. Feitas de abraços e de risos.
Gente que é flor. Com jeito de sol.




Cris Carvalho

23 abril, 2012

A prece maior






A prece maior é ser generoso com o vizinho. É estampar um sorriso no rosto. É falar a verdade toda vida. É ser caridoso. É ser fiel com os amigos. É estar do lado do bem. É cantar pruma criança dormir. É brincar com elas numa tarde grande. É saber que Deus mora em cada pequena coisa com toda sua grandiosidade. É espalhar amor em doses de chuvaradas por aí. 


A prece maior se encontra num abraço, numa conversa jogada fora num dia de domingo. Numa palavra que salva, que enriquece, que abençoa. Num conselho que transforma a vida de alguém. Num olhar carinhoso. Numa mão que ampara, que acolhe, que semeia.

A prece maior se encontra onde há esperança, onde mora a palavra AMOR. A prece maior se encontra onde há recomeços, onde há dias recheados de paciência e tolerância. Onde há uma história comprida com gente bonita morando dentro. A prece maior se encontra no que não se acaba, no que permanece, apesar dos pesares todos.

A prece maior é ser feliz por nada. É agradecer por tão pouco. É amar até quem não nos ama. É respeitar os limites, os medos, as diferenças. É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos. É ter os olhos voltados para o sol. É ter o coração tranquilo. É levar uma semente de esperança onde a flor da vida já secou faz tempo.


A prece maior a gente não faz ajoelhado, a gente faz é sorrindo.


Cris Carvalho

14 abril, 2012

Do que me cabe





Na minha dor cabe o tempo. O tempo de esquecer, de levantar. Tempo de virar a página e partir pra outra. De tentar ser mais e melhor. De buscar energia positiva em volta de pessoas do bem. Tempo de me amar.

Na minha alegria cabe o riso. O riso daqueles que convivem comigo. De dias grandes cheios de gente dentro. De conversas jogadas fora. De gente fazendo gracinha só pra me encantar.

Na minha amizade cabe um abraço. Daqueles que envolvem o mundo todinho com as mãos. Daqueles que esquentam e traz paz e carinho, aconchego e vontade de ficar morando dentro. 

Na minha prece cabe o outro. Aquele que mora do outro lado do mundo e que eu não conheço, mas sei que existe. Que existe e precisa de luz. Que existe e precisa de paz. Pra ele eu mando meus pensamentos mais bonitos, pra ele eu mando o pouco que me cabe, mas que é inteiro coração. 

Na minha solidão cabe um livro. Pode ser Clarice, Caio ou Adélia. Cabe um lágrima rolando sozinha, mas que me acrescenta algo de divino. A lágrima é que me humaniza. Faz com que eu estique a alma num varal de delicadezas. 

Na minha eternidade cabe nós. Cabe eu e minha família. Eu e meus amigos. Os de perto, os de longe, os do outro lado da tela do computador. Cabe os dias bonitos. Cabe os choros divididos, os risos compartilhados, os abraços jamais esquecidos. Cabe os laços, cabe as luzes, as memórias e suas saudades. 

Na minha vontade cabe um jardim. Uma casa toda branca com janelas azuis. Uma roseira no quintal e um girassol na porta de entrada. Cabe um amor limpinho morando dentro dela. Cabe eu e minha história, bordada de afinidades, amor e leveza. 


Cris Carvalho

Cheia de sol



Dias e noites se somavam pra mudar o que ia dentro dela. Histórias tristes, mesmo que passadas, causavam pesadelos. Mas na boca, o gosto de eternidade era de momentos lindos.


Enquanto ela não sabia o que fazer do passado, ela ia se alimentando de versos e falava em cores, flores e passarinhos. Passava horas anotando sonhos e pedidos às estrelas cadentes.


E num faz de conta que esquecia histórias tristes, redescobria magias escondidas em algum canto. E pintava um amor novinho em folha, com direito à cartinhas e versinhos de amor para distrair os olhos.


Bordava uma porção de amizades por onde passava e escolhia a dedo as pessoas que continuariam em seu caminho. Plantava boas intenções e colhia um monte de surpresas.


Quando a menina se desestabiliza e desmorona, Deus vai lá e reconstrói. Dá a ela uma página em branco, pra ver se dessa vez ela não comete tantos erros. E aprenda de uma vez por todas que pensar só com o coração dói e pensar em quem não merece é besteira.


Então ela faz assim: pela janela debruça o olhar sobre uma vida bonita. E renasce. Fica forte outra vez. De sol em sol ela armazena energia e recupera sorrisos. Bota bobagens pra dormir e pisa forte no medo. 

Algumas vidas, olhadas de perto, fascinam os olhos e salvam o dia. Mesmo sem saber, algumas pessoas têm o dom de transmitir paz e harmonia pra menina que gosta de descansar o olhar sobre outras vidas que, mesmo complicadas, não deixam de ser poesia. 

E todas as manhãs a menina envia um sorriso de sol como forma de agradecimento pela poesia que ela lê todos os dias.


Cris Carvalho

Quem gostou da Ideia