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18 abril, 2012

Alma “amiguirmã”

Coisa leve é ter uma alma “amiguirmã”
ocupando todo o espaço,
sorrindo com a gente em algum canto,
compondo simplicidades.

Leve porque você intui
a quase certeza de que nada falta
(mesmo que falte um mundaréu de coisas),
e que a distância ainda vai sair perdendo.

Leve porque o caminho de dentro
fica ainda mais curto.
Muito mais perto.

(Disso eu entendo.)



Priscila Rôde

Os escolhidos






Suspeito que os nossos escolhidos colecionam os segredos mais antigos, os mistérios mais remotos. A chave de tudo. O domínio de uma porta que pra gente, jamais se abriria novamente. O dom de uma palavra que até ontem, não fazia sentido. Colecionam os nossos cantos, as nossas intimidades e as nossas vertigens. E vertem com a gente. Por isso, na dúvida, antes de escolher os meus ombros, ponho muito coração nos olhos e sinto.


Vai que eles resolvem ficar pra sempre...?



Priscila Rôde

14 março, 2012




Aprecio essa gentileza tênue e equilibrista que alcanço quando não desisto tão fácil de algumas tentativas. Pareço imbatível, mas, lá dentro, só estou me perdoando pela constante falta de jeito. É que, lá de cima tudo é tão vasto, tudo é tão rico que a alma ampliada desequilibra. Então, de vez em quando fico rígida para não cair nos braços de qualquer desassossego. De longe, entusiasmar - se com um simples passo ameno e incomum às vezes é tão descomplicado que parece milagre - e a gente, sem graça, complica. Mas, não é.
A reciprocidade sempre reaparece quando o outro faz estragos dentro da gente (quando a corda balança, quando o amor desanda, quando o orgulho ocupa lugares ou, quando não há um ombro supervisionando nossos golpes e quedas). Não sei se a travessia vale a dor do mundo, mas, vale muito. Vale cada centímetro de sorriso. E um abraço.


Priscila Rôde

12 março, 2012

Inside

Desenho by Wili


Posso reacender mais um lume e acreditar nesse céu interno provisório como se não houvesse, entre nós, uma fase tão confusa. Posso falar de uma alegria rasurada e dizê – la só com os olhos como se não soubesse do cansaço daquele sorriso. Posso esmiuçar distâncias com um fio de pensamento e dissolver o desapego num abraço. E posso desatar as circunstâncias mais sisudas, só porque não me encaixo neste novo tumulto. Posso tanto, tanto, porque tenho uma prece simplificada. Talvez amanhã ou, em qualquer outro silêncio, algum susto me desajuste. Mas, hoje não. Há muito barulho lá fora.


(Alguns se acumulam bem no meio do caos, no meio do vento. Outros, estreitos, nascem pro acaso ou pra falta de tempo. Hoje, acordei para dentro. E não pretendo descer agora.)




Priscila Rôde

27 fevereiro, 2012

Cura

A mão Divina é
de uma delicadeza indizível
quando o seu cuidado desmedido
repousa tantos milagres
sobre minhas convicções
tão temperamentais e inteiras.

Então já me sinto curada
de todos os detalhes mal vividos
e de todas as minhas metades mal feitas.

BENDITA
é a renúncia que anuncia
palavras vindouras,
a cada sorriso.

Por essa, me deixo ir.
E não volto.

Há amores de tempos maiores.

Priscila Rôde

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